Renúncia
Assinado pelo vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Carlos José da Costa, o BB publicou na quarta-feira (17) fato relevante ao mercado. O comunicado tratou do pedido de renúncia do presidente André Brandão que já havia comunicado sua intenção ao presidente da República e ao ministro da Economia. O texto afirma que Brandão ficará no cargo até 1º de abril.
Indicado
Logo após o comunicado, o governo indicou Fausto Ribeiro para a presidência do Banco. O executivo é diretor-presidente do BB Consórcio. O Palácio do Planalto já vinha avaliando nomes para o cargo e buscava um nome que não causasse turbulência no mercado.
Insatisfação
A indicação não foi bem recebida por parte dos conselheiros e diretores do Banco do Brasil. A insatisfação se deve a interferência do presidente da República na gestão do BB e a ascensão meteórica de Fausto Ribeiro que chegou há pouco tempo ao segundo escalão e antes havia exercido apenas cargos de gerência. O jornal Estadão publicou que, de acordo com fontes, alguns diretores e conselheiros falam em entregar o bastão. O mandato do Conselho de administração vence em abril e o Ministério da Economia tem a opção de não renovar o contrato dos ocupantes. Assim a troca dos conselheiros insatisfeitos poderia favorecer o novo presidente.
Contramão
Há algum tempo a Caixa Econômica Federal vem ampliando tanto os pontos de atendimento quanto os serviços oferecidos. Agora a Caixa planeja abrir agências em 400 cidades. A expansão vai se concentrar especialmente no Norte e Nordeste. O objetivo é estar presente em todas as cidades com mais de 20 mil habitantes. Enquanto o BB demitiu mais de 5 mil funcionários, a Caixa planeja contratar 7.700 empregados.
Corte de custos
Estudo feito pela consultoria alemã Roland Berger aponta que os cinco maiores bancos brasileiros precisam fechar 30% de sua rede de agências físicas em três anos. O fechamento de 5 mil unidades se dará pela pressão por corte de custos diante da multiplicação das fintechs que acelerou o processo de digitalização no Brasil. Conforme dados do Banco Central, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Caixa Econômica Federal possuem juntos 16.704 pontos de atendimentos físicos.
Mapeamento
Seguindo nesta linha de fechamento de agências, 160 unidades do Banco do Brasil já estão com aviso de encerramento de atividades colados em suas portas. Mapeamento feito pela Contraf indica que a região Nordeste será a mais afetada com o fim das atividades de 60 pontos. Diante da chiadeira de prefeitos, o BB tem afirmado que municípios que ficarem sem agências tradicionais terão ao menos um posto de atendimento ou um correspondente bancário.
Vai ou não vai
Depois de pedir pressa na sua substituição, o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, ainda permanece no cargo. Membros do Conselho de Administração saíram em defesa de Brandão. Querem que o executivo permaneça na instituição. Enquanto a exoneração não acontece, aumentam as especulações sobre os nomes para ocupar o mais alto cargo do BB.
Favores
Paulo Henrique Costa, presidente do Banco de Brasília (BRB), era um dos nomes mais fortes para ocupar o lugar de André Brandão. Depois das condições especiais no financiamento da mansão comprada por Flávio Bolsonaro, a candidatura encontra resistência. É que a nomeação do executivo pode ser interpretada como troca de favores.
Ano difícil
Mesmo com perda de R$ 24 bilhões no ano passado, a Previ encontrou boas oportunidades e fechou dezembro com um superávit de R$ 11,5 bilhões. O presidente da entidade, José Maurício Coelho, espera grande volatilidade em 2021 por causa do aumento de casos de Covid-19. Ele afirma que a tendência de desconcentração da carteira vai continuar, porém em menor velocidade porque 2020 foi “um ano duro”.

Brandão subiu no telhado
Convidado por Paulo Guedes, André Brandão deixou a direção do HSBC em Nova York para assumir a presidência do BB. A sua principal missão é obedecer a sanha privativista do ministro da Economia, que quer a todo custo vender “a p* do Banco do Brasil”. Brandão vem cumprindo rigorosamente a meta: enxugar o Banco para torná-lo mais competitivo para uma possível venda.
O que o executivo não esperava era um embate direto com o presidente da República. Tudo começou quando Roberto Campos Neto indicou Brandão para o cargo e obteve o sinal positivo de Paulo Guedes sem que Bolsonaro batesse o martelo. Em Dezembro o BB contratou o cantor Seu Jorge para uma live para os funcionários. A chiadeira bolsonarista, alegando que o cantor é esquerdista e que o Banco continua tomado por petistas, chegou ao presidente que ficou incomodado com as críticas.
A reestruturação da instituição com fechamento de agências e demissão de mais de 5 mil funcionários em plena eleição para a presidência da Câmara dos Deputados azedou de vez a relação. Bolsonaro ameaçou demitir Brandão, que foi salvo por Guedes e Campos, e prosseguiu com o plano de reorganização fazendo a promessa de rever fechamento de agências, mas disse que ficaria apenas se pudesse agir tecnicamente.
A trégua durou pouco. Com a eleição de Lira para a presidência da Câmara, o Centrão quer ocupar cada vez mais cargos no governo. A interferência na Petrobras e a fragilidade de Brandão aguçaram os sentidos daqueles que têm a Presidência do BB como alvo. Novamente Brandão subiu no telhado.
As interferências de Bolsonaro nas estatais e o fraco resultado do balanço derrubaram as ações do BB e a pressão sobre o presidente da instituição aumentou. Na sexta-feira (27/02) o executivo manifestou a intenção de deixar o Banco. Confessou a interlocutores que está “cansado de Brasília”.
Farto da politicagem, de ter que abandonar reuniões para comparecer a eventos ao lado de Bolsonaro, de ser ameaçado por fazer seu trabalho, Brandão colocou seu cargo à disposição. O Banco nega qualquer pedido de renúncia, mas parece que o executivo agora está mais confortável “no telhado”. Enquanto isso as ações do BB caíram mais de 4%.
Queda
O lucro do Banco do Brasil caiu 20,1% no quarto trimestre ante o mesmo período do ano passado. Em relação ao trimestre anterior, a alta foi de 6,1%. O lucro acumulado, de R$ 13,9 bilhões, ficou 22,2% menor do que 2019. De acordo com o relatório que acompanha o balanço, a piora do lucro se deve ao aumento das provisões para créditos de liquidação duvidosa, que cresceram 47,6% no quarto trimestre ante igual período de 2019, para R$ 22,1 bilhões.
Ações
Diante do resultado algumas corretoras retiraram as ações do Banco de suas listas. Outras se mostraram mais otimistas porque o Banco teve lucro acima do esperado. Apesar do pessimismo da maioria, o BB espera lucrar R$ 19 bi em 2021. Com esta projeção, o Conselho de Administração aumentou o percentual de lucro a ser distribuído sobre o lucro passando de 35,29% para 40%.
Corrida
Assim que se esgotou o prazo para adesão ao PDV, André Brandão mandou acelerar o fechamento de agências. O objetivo é encerrar o processo de reestruturação até junto deste ano. O BB justifica que o enxugamento é para tornar o Banco mais competitivo já que a estrutura atual é considerada inchada e incompatível com a dos principais concorrentes. Com a reestruturação o BB pretende economizar R$ 300 milhões este ano e R$ 2,7 bilhões até 2025.
Greve
Contra a reestruturação do Banco do Brasil, funcionários fizeram paralisação de 24 horas no dia 10 em todo o Brasil
Queda
O lucro do Banco do Brasil caiu 20,1% no quarto trimestre ante o mesmo período do ano passado. Em relação ao trimestre anterior, a alta foi de 6,1%. O lucro acumulado, de R$ 13,9 bilhões, ficou 22,2% menor do que 2019. De acordo com o relatório que acompanha o balanço, a piora do lucro se deve ao aumento das provisões para créditos de liquidação duvidosa, que cresceram 47,6% no quarto trimestre ante igual período de 2019, para R$ 22,1 bilhões.
Ações
Diante do resultado algumas corretoras retiraram as ações do Banco de suas listas. Outras se mostraram mais otimistas porque o Banco teve lucro acima do esperado. Apesar do pessimismo da maioria, o BB espera lucrar R$ 19 bi em 2021. Com esta projeção, o Conselho de Administração aumentou o percentual de lucro a ser distribuído sobre o lucro passando de 35,29% para 40%.
Toma lá dá cá
Com a desculpa de que o Banco do Brasil precisa de um nome mais alinhado com Bolsonaro, o Centrão já pressiona o Planalto pela presidência da instituição. De acordo com assessores presidenciais, a relação de cargos não se limita apenas a ministérios e postos de segundo escalão. Também passa pelo comando do BB e da Casa da Moeda. Os nomes estão sendo discutidos desde a eleição de Arthur Lira como presidente da Câmara.
Greve
Apesar de o plano de desligamento ser voluntário, funcionários do BB anunciam greve a partir de quarta-feira (10/02). Em assembleia virtual, os trabalhadores decidiram pela paralisação contra o plano de reestruturação que prevê o fechamento de agências, escritórios e postos de atendimento.
Meta alcançada
Mesmo com a interferência de Bolsonaro, o PDV lançado pelo Banco teve a adesão de mais de 5 mil funcionários até o término do prazo (05/02). Com o encerramento do plano e a adesão de 5.533 funcionários, o BB pode dar sequência à reestruturação. 74% dos funcionários se que aderiram, saem por aposentadoria imediata. Outros 5% se aposentarão em 3 anos. As indenizações podem chegar a R$ 450 mil.
Fecha e abre
Até o fim de março, o Banco abrirá 14 agências voltadas para o agronegócio. Também vai intensificar o atendimento por gerentes especializados em agronegócio, com o reforço de 276 profissionais voltados para o setor. Segundo a instituição financeira, o número de clientes com atendimento especializado saltará de 158 mil para 227 mil. As novas agências funcionarão nas seguintes cidades: Rio Verde (GO), Sorriso (MT), Dourados (MS), Cascavel (PR), Maringá (PR), Londrina (PR), Ponta Grossa (PR), Ijuí (RS), Santa Maria (RS), Passo Fundo (RS), Araçatuba (SP), Presidente Prudente (SP), Ribeirão Preto (SP) e Franca (SP).
Lado social
Incomodado com a reestruturação do Banco do Brasil, o presidente Bolsonaro ameaçou demitir André Brandão. A provável interferência fez com que as ações do Banco despencassem. A pedido da equipe econômica, Bolsonaro voltou atrás. Questionado por jornalistas, o mandatário da República negou a interferência, mas afirmou: “Eu que ponho e eu que demito e não tenho que dar satisfação a ninguém”. Declarou ainda que o BB precisa considerar seu lado social.
A queda dos papeis do BB na semana de 25 a 29/01/2021 foi ancorada na possível demissão do presidente André Brandão em virtude da reestruturação da instituição. O plano de redução de despesas prevê a demissão de 5 mil funcionários, via PDV, e o fechamento de mais de 300 pontos de atendimento. A medida irritou o presidente da República por causa da chiadeira de deputados e prefeitos em plena eleição para a presidência das duas Casas Legislativas. No fim, o Conselho de Administração chamou para si a responsabilidade da reestruturação, Brandão permaneceu no cargo, mas o estrago já estava feito. A ação fechou a sexta-feira (29) cotada em R$ 33,86 (queda de 1,97%).
Em documento enviado ao mercado na segunda-feira (25), o Banco do Brasil informa que vai ampliar a distribuição de dividendos em 2021. O percentual do lucro pago aos acionistas (payout) será de 40% bruto. Sobre o resultado de 2020, o BB aprovou um payout de 35,29%. O balanço anual do BB será divulgado no dia 11 de fevereiro de 2021.